O
Trabalho Esotérico exige, como requisito indispensável,
que seja tomado com seriedade, e ordena que se deixe de
lado todas essas besteiras que abundam no pseudo-ocultismo
e no pseudo-esoterismo barato.
A
seriedade é um elemento fundamental para se atingir
uma mudança total e definitiva e, não existindo
esse elemento, corremos o risco de fracassar no Trabalho
Esotérico.
Existe
uma tendência geral a rechaçar ou subestimar
a própria psicologia, a qualificá-la como
algo sem importância; e isso acontece porque, diferentemente
do corpo físico, a psicologia não é
perceptível ou apreensível pelos cinco sentidos.
Para
captar o tremendo realismo de nossa própria psicologia,
devemos iniciar, agora e já, a observação
séria e rigorosa de nós mesmos.
A
auto-observação nos conduz ao auto-conhecimento
e nos permite descobrir aqueles defeitos psicológicos
que nos mantêm presos à dor.
Quando
alguém descobre um defeito psicológico,
deu de fato um grande passo, porque então poderá
estudá-lo,compreendê-lo e logo eliminá-lo
com a ajuda eficiente de Devi Kundalini.
Ser
sérios implica em receber as impressões
da vida a partir do Terceiro Estado de Consciência
(íntima recordação de si mesmo);
implica em ir ao encontro dos eventos ou acontecimentos
da vida cotidiana sem identificação,
recebendo as impressões com as partes mais
conscientes dos Centros da máquina orgânica
e olhando todas as coisas à luz da Gnose.
Ao lado Krishna e Arjuna na batalha
contra o Ego, ou os nossos defeitos psicológicos.
Em
realidade e de verdade, nossos defeitos são tão
inumeráveis que, ainda que tivéssemos mil
línguas e um palato de aço, não conseguiríamos
enumerá-los todos.
E
o mais grave é que não sabemos medir o espantoso
realismo de qualquer defeito, sempre o olhamos de forma
vã, sem a devida atenção e seriedade,
o vemos como algo sem importância.
Existe
entre os estudantes gnósticos, lamentavelmente,
uma grande frieza e uma evidente falta de seriedade, pois
normalmente se dá importância ao que realmernte
não é importante, ao superficial.
Supor
que a última moda ou o último penteado,
o carro último-tipo ou a questão do salário,
a aventura amorosa, a vida sedentária, o cinema,
a telenovela, a luta de boxe, o jogo de futebol, a festa
dançante, a corrida, a fofoca ou a calúnia
sejam coisas essencialmente importantes e sérias
constitui não só um grave equívoco
como também indica um absoluto desconhecimento
do que é na verdade o ensinamento Gnóstico.
Nós,
os estudantes, entramos na Gnose para avivar as inquietudes
íntimas, para converter-nos em luminárias
do espírito, em adeptos da luz, em Homens autênticos,
com toda a grave responsabilidade que encerra a palavra
Homem. Indiscutivelmente, nada disso será possível
se não aniquilarmos o Ego ou Eu Pluralizado, se
não eliminarmos as bobagens e burrices da falsa
personalidade, que sempre apagam a primeira chispa de
luz e nos submergem no frio da mais espantosa indiferença.
É
bom lembrar que as pessoas são sempre engolidas
pela Lua, mais cedo ou mais tarde, e que esta é
uma verdade incontrovertível.
Infelizmente,
qualquer coisa da Personalidade, por boba que seja, tem
força suficiente para reduzir a poeira cósmica
ISSO que no silêncio da noite nos comoveu por um
momento, ISSO que captamos no Templo ou Lumisial e que
só nos encheu de inquietudes momentâneas.
A
Lua sempre ganha essas batalhas, ela se alimenta, se nutre,
precisamente de nossas próprias debilidades.
A
Lua é terrivelmente mecanicista, e o humanóide
lunar, desprovido completamente de inquietudes solares,
é incoerente e se move no mundo dos sonhos.
Se
os estudantes da Gnose fizessem o que poucos fazem, isto
é, avivar as inquietudes solares íntimas,
não há dúvida de que pouco a pouco
assimilariam a Inteligência Solar e poderiam assim
converter-se em Homens.
Para
isso nos foi entregue a Divina Gnose, para atingir o objetivo
do Sol, para converter-nos em Homens; mas, se não
encaramos isso com seriedade, se continuamos como sombras
lunares, frios, apáticos e indiferentes, a Lua
nos devorará, e virá depois a igualação
da morte.
A
morte iguala tudo; qualquer cadáver vivente, desprovido
de inquietudes solares, degenera terrivelmente até
ser devorado pela Lua.
O
Sol quer criar Homens, o Sol está trabalhando
no laboratório da Natureza; mas, infelizmente,
esta experiência não lhe tem trazido
muitos bons resultados, pois, como já dissemos,
a Lua devora as pessoas.
O
Sol depositou nas glândulas sexuais do "animal
intelectual " certos germens solares que, conscientemente
desenvolvidos, podem transformar-nos em Homens autênticos.
A
experiência solar torna-se espantosamente
difícil devido precisamente ao frio lunar.
Se
os estudantes da Gnose não quiserem cooperar
com o Sol, os germens solares involuirão,
degenerarão e se perderão lamentavelmente.
A
chave-mestra da Obra do Sol está na dissolução
dos elementos indesejáveis ou "Eus" que
levamos em nossa psique.
É
necessário que os estudantes da Gnose se interessem
pelas idéias solares, de maneira séria e
contínua; se é que não queremos ser
destruídos como algo inútil, como algo que
já não serve para a experiência solar.
A
raça Ária é uma fruta podre, tornou-se
insuportavelmente mecanicista, já não tem
nada a oferecer e por isso será destruída.
Para
salvar-nos da destruição, devemos ter continuamente
inquietudes solares. E para isso é necessário
que coloquemos nosso centro magnético na Essência,
na Consciência.
É
lamentável observar como os estudantes da Gnose
mantêm o centro magnético nas questões
da falsa personalidade, nos acontecimentos triviais do
dia-a-dia, nas modas passageiras, na conversa insubstancial
e ambígua, nos negócios, nas telenovelas,
no cinema, no jogo de futebol, em tudo o que só
alimenta os Eus que controlam a falsa personalidade.
Devemos
encarar seriamente o seguinte axioma fundamental: "A
única coisa importante na vida é a transformação
radical, total e definitiva; tudo o mais, francamente,
não tem a menor importância." .
As
boas intenções não modificam ninguém;
o simples fato de pertencer ao movimento gnóstico
não significa que hajamos deixado de ser as mesmas
pessoas; a mudança radical só advém
quando morremos em nós mesmos, quando eliminamos
o Eu da psicologia experimental.
É
necessário compreender em profundidade o que significa
a seriedade no trabalho esotérico gnóstico.
A seriedade à qual estamos nos referindo implica
em aprender a viver nas partes mais conscientes de nós
mesmos, significa jogar luz sobre as trevas espantosas
de nosso Eu Psicológico.
Ser
sérios implica em receber as impressões
da vida a partir do Terceiro Estado de Consciência
(íntima recordação de si mesmo);
implica em ir ao encontro dos eventos ou acontecimentos
da vida cotidiana sem identificação, recebendo
as impressões com as partes mais conscientes dos
Centros da máquina orgânica e olhando todas
as coisas à luz da Gnose.
Entenda-se
que esta seriedade não significa ser contra a alegria
saudável, nem muito menos abandonar os deveres
do bom dono de casa ou os deveres de cidadão.
É
óbvio que o sorriso consciente jamais poderia ser
prejudicial, mas é necessário estudar, analizar,
compreender e eliminar certos "Eus-palhaços"
que nos induzem à comicidade subjetiva e não
nos permiterm encarar com seriedade o espantoso realismo
de qualquer defeito de tipo psicológico.
Ser
sérios equivale a olhar nossos próprios
erros e defeitos com o propósito de eliminá-los,
significa abandonar a tendência a criticar os outros
e a estar nos metendo na vida alheia. Um estudante da
Gnose, sério e definido, não abandona seu
grupo porque vê este ou aquele defeito nos coordenadores
ou nos irmãos, mas entende que dentro de sua psique
vivem esses mesmos defeitos que está vendo no outro.
Uma
regra geral no Trabalho Esotérico Gnóstico
assinala que, quando não nos entendemos com alguma
pessoa, pode-se ter a segurança de que essa é
a própria coisa contra a qual é preciso
trabalhar esotericamente.
O
que tanto se critica nos outros é algo que descansa
no lado obscuro de si mesmo e que não se reconhece
e nem se quer reconhecer..
Assim
como a Lua tem um lado oculto que não se vê,
o mesmo ocorre com a Lua Psicológica que carregamos
em nosso espaço interior.
É
óbvio que essa Lua Psicológica está
formada pelo Ego, o Eu, o Si Mesmo, o Mim Mesmo.
Neste
lado oculto de nossa lua psicológica carregamos
elementos inumanos ou Eus que espantam, que horrorizam,
e que de maneira alguma aceitamos ter.
Nós
devemos, de maneira séria e contínua, fazer
chegar a luz da Consciência até esse lado
tenebroso de nós mesmos, porque todo o objetivo
de nossos estudos gnósticos é fazer com
que o conhecimento de si se torne cada vez mais consciente.
Quando
temos em nós mesmos muita coisa que não
conhecemos e não aceitamos, então essas
coisas nos complicam a vida espantosamernte e provocam
situações desagradáveis e dolorosas,
que bem poderiam ter sido evitadas mediante o conhecimento
de si.
O
pior de tudo isso é que projetamos esse lado desconhecido
de nós mesmos sobre as outras pessoas e atribuímos
a elas nossos próprios defeitos psicológicos.
Por exemplo, vemos as pessoas como se fossem mesquinhas,
desleais, infiéis, etc., mas na verdade só
estamos projetando sobre elas nossos próprios defeitos.
A
este respeito, a Gnose indica que só vivemos em
uma pequena parte de nós mesmos, ou seja, nossa
Consciência se estende só a uma parte muito
reduzida de nós mesmos.
A
idéia do Trabalho Esotérico Gnóstico
é a de ampliar claramente a nossa Consciência.
Indubitavelmente,
enquanto não estivermos bem relacionados com nós
mesmos também não nos relacionaremos bem
com as outras pessoas, e como resultado surgirão
conflitos de todo tipo.
Só
com a observação dinâmica, consciente,
é possível iluminar o lado oculto de nossa
Lua Psicológica. Só através do auto-conhecimento
a Consciência pode se desenvolver.