DO
NAMORO A UNIÃO TÂNTRICA
Cláudio
Carone
Não
há nada mais delicioso que a aventura do encontro
de duas almas que se amam. A emoção que
invade o coração do homem e da mulher enamorados
é de importância vital para o êxito
do relacionamento tântrico alquímico.
Os
homens que influiram nos destinos da humanidade, que desenvolveram
grande sensibilidade e que chegaram a alcançar
grandes triunfos, sempre tiveram, em suas vidas íntimas,
musas inspiradoras que os estimulavam a criar uma metafísica
erótico-espiritual refinada, que incluia encontros
secretos, doces poesias, anelos transcedentais, juramentos,
olhares furtivos, a ânsia de união das almas
e muito mais...
Esses
componentes altamente estimuladores que conduzem o ato
sexual ao êxtase, convertendo-se numa grande celebração
da alma e do corpo, estão comprometidos, em plena
extinção, talvez pelo ritmo alucinante da
vida moderna, ou simplesmente pelo processo decadente
da humanidade.
É
realmente irônico e paradoxal que justo agora que
se vive um clima de liberdade sexual sem precedentes na
história da humanidade, o sexo de uma forma geral
está sendo absurdamente mecanizado e desfigurado
com relação à sua origem sagrada.
Viver
momentos de êxtase prolongado com descontração
paradisíaca, viver momentos de paz nos braços
da mulher amada ou é coisa do passado ou no mínimo
ocorre de maneira fugaz, sem profundidade, sem magia,
excessivamente fácil. Os beijos e carinhos se banalizaram
tanto que quase já não produzem assombro.
Sem
dúvida, a mídia e outros meios de comunicação
modernos, têm contribuído muito para a robotização
do amor. Parece que há uma constante busca de modelos
humanos perfeitos. Homens que se apresentam sempre fortes,
simpáticos, sorridentes, musculosos, vencedores,
altamente sedutores, infalíveis, super-homens que
deixam as mulheres fascinadas, mergulhadas nas mais absurdas
fantasias eróticas e românticas. Elas sonham
em ter um homem desses, mas na verdade, só existe
nas telas de TV e nos cérebros dos seus inventores.
O
mito de perfeição com relação
à mulher é maior ainda. Não há
comercial nem programa de TV de sucesso sem a presença
de uma musa perfeita, sensual, provocante, bonita, que
promete delírios e projeta tremendas fantasias
nas mentes masculinas. Essas fantasias significam enormes
gastos de energia intelectual, emocional e sexual que
efetivamente reduzem as possibilidades de êxito
no relacionamento amoroso.
Os
chamados símbolos sexuais são responsáveis
pelas grandes desilusões do homem e da mulher.
Eles diminuem a capacidade de transcendência na
união. Escravizam os sentidos com relação
ao mundo das formas, que está em constante metamorfose,
fazendo da beleza física algo efêmero e passageiro.
Essa excessiva identificação com o mundo
das formas dificulta a percepção da beleza
da alma, que sendo imortal deveria ser o elo principal
da união amorosa.
Uma
das chaves mais simples para se compreender os dramas
conjugais se encontra no fato de que os egos se odeiam
enquanto as almas se adoram.
Nos
relacionamentos modernos é praticamente impossível
fazer prevalecer a alma. Quem impera, aliena e escraviza
é sempre o ego.
Quantos
casais se unem levados pela chama ardente do amor que
nasce do fundo da alma, se adoram e acreditam que nada
nem ninguém poderá separá-los ? Quando
menos esperam são traídos pelo inimigo secreto,
o ego, essa legião de agregados psicológicos
que destrói a beleza do amor puro e inocente. Essa
é a consequência da saída do Éden
espiritual, terrível sequela deixada da nossa inconsciência,
resultado de termos abandonado no passado a sabedoria
dos Deuses.
O
tantrismo branco, o Kriya Shakty, é o alicerce,
o fundamento básico da sabedoria milenar dos Deuses.
Para o êxito no amor tântrico, necessita-se
de elevada sensibilidade física e psíquica,
de capacidade de entraga total, muita renúncia,
ausência de tensões e máscaras psicológicas
que inibem e reduzem o prazer e impossibilitam a vivência
do êxtase.
Por
motivos já antes considerados, homens e mulheres
recebem continuamente através dos meios massivos
de comunicação centenas de impressões
que provocam uma ansiedade que gera incerteza no êxito
da relação sexual, uma insegurança
fatal que reduz a sensibilidade e o desempenho sexual.
A
prática da magia sexual branca é frutífera
quando há muita confiança e intimidade entre
os amantes. Também é preciso muita amizade,
respeito mútuo, admiração, entusiasmo
e carinho pelo parceiro. O encontro das almas será
tanto mais profundo e duradouro quanto menor for a ingerência
do ego.
O
clima propício para a magia, que é física
e de almas, se consegue com muito diálogo, uma
convivência parcimoniosa sem exageros, e um saudável
namoro.
Não
há normas a seguir e deve-se evitar os programas
pré-estabelecidos pela mente que nos torna frios
calculistas, verdadeiros autômatos. O grande comandante
deverá ser sempre o velho coração,
essa voz silenciosa que encontra a medida certa, o momento
adequado e cria as circunstâncias apropriadas para
a celebração desta grande festa do amor.
Para
se criar um elo de ligação entre os primeiros
encontros, o namoro e a união física completa,
em vários textos tântricos tradicionais se
recomenda ao casal a prática do método Diana.
O
termo Diana, origina-se do nome da deusa grega da castidade
e trata-se de um método de adaptação
através do qual o casal aumenta consideravelmente
o seu magnetismo e ao mesmo tempo cria uma intimidade
especial, superando-se aquele estresse acompanhado de
temores e angústias tão comum nos primeiros
relacionamentos físicos, nas primeiras uniões
sexuais.
Um
dos maiores obstáculos para o casal alcançar
a plenitude amorosa e o êxtase sexual é,
sem dúvida, a expectativa criada no período
que antecede a cópula física.
As
fantasias sexuais, as incertezas com relação
à consumação do ato dentro dos padrões
desejados, a possibilidade de não agradar seu parceiro,
etc, normalmente consomem uma considerável quantidade
de energias.
Na
prática do método Diana, os parceiros usufruem
de contatos corporais íntimos, repletos de carícias
e estímulos eróticos, sem a conexão
dos órgãos sexuais e evidentemente sem a
perda das energias, mas sim transmutando-as intensamente.
De comum acordo, os parceiros, ao praticarem o método
Diana, estarão aliviando consideravelmente a carga
emocional do primeiro ato fazendo desaparecer a preocupação
pelo desempenho.
O
elemento surpresa vai diminuindo pouco a pouco. O homem
vai paulatinamente descobrindo o corpo da sua companheira
e vice-versa. Isso permite que o início da prática
tântrica propriamente dita se realize sem traumas,
de uma forma natural e espontânea.
O
método Diana vitaliza o organismo, aviva o fogo
criador e o fogo da mente. O corpo irradia magnetismo
por todos os poros. Esse magnetismo preservado pela ausência
do orgasmo fisiológico se multiplica e reorganiza
todas as células do organismo.
É
evidente que esse método deve ser usado temporariamente,
como um processo preventivo de adaptação,
até que o casal sinta segurança e serenidade
para a conexão sexual.
Quando
houver um excesso de excitação da libido
sexual, recomenda-se a realização de exercícios
respiratórios especiais com a finalidade de acelerar
o processo de transmutação das energias.
Cláudio Carone (Extraído do livro Tantra
- Arte e Refinamento do Amor - Editora Raon Sol Nascente)